À medida que as empresas crescem e se tornam mais dependentes de tecnologia, a área de TI deixa de ser apenas operacional e passa a ocupar um papel estratégico. No entanto, com esse protagonismo vem um desafio cada vez mais presente:
como tomar boas decisões de tecnologia em um ambiente cheio de pressões, riscos e incertezas?
É nesse contexto que a governança de TI deixa de ser um conceito teórico e se torna uma necessidade prática. Neste artigo, vamos explorar o que é governança de TI na prática, por que ela falha na maioria das organizações e como estruturá-la para apoiar decisões melhores, mais rápidas e mais alinhadas ao negócio.
O equívoco comum: governança não é burocracia
Quando o tema “governança de TI” surge, muitas pessoas associam imediatamente a:
- Comitês excessivos
- Processos engessados
- Documentação infinita
- Aprovações lentas
Essa visão distorcida faz com que muitas empresas evitem o tema até que os problemas apareçam.
Governança não existe para travar decisões, mas para melhorar a qualidade delas.
Por que a governança de TI falha nas empresas?
Alguns padrões se repetem:
1. Decisões centralizadas demais
Tudo passa por uma única liderança, gerando gargalos e risco de erro.
2. Falta de critérios claros
Decisões são tomadas com base em opinião, urgência ou pressão política.
3. Desalinhamento entre negócio e tecnologia
TI decide sem contexto de negócio ou o negócio decide sem entender impacto técnico.
4. Ausência de responsabilização
Quando tudo é responsabilidade de todos, ninguém é responsável de fato.
O verdadeiro papel da governança de TI
Uma boa governança responde a perguntas fundamentais como:
- Quem decide o quê?
- Com base em quais critérios?
- Em que nível da organização?
- Com quais riscos e consequências?
Ela cria clareza, não controle excessivo.
Os 5 pilares de uma governança de TI eficaz
Uma governança funcional pode ser estruturada em cinco pilares simples e objetivos.
1. Clareza de papéis e responsabilidades
Toda decisão precisa de um dono claro.
Exemplos:
- Quem aprova investimentos em tecnologia?
- Quem decide padrões arquiteturais?
- Quem prioriza demandas entre áreas?
Ferramentas como RACI ajudam, mas o mais importante é clareza prática, não perfeição teórica.
2. Critérios objetivos para tomada de decisão
Decisões melhores surgem quando critérios são conhecidos antes da discussão.
Exemplos de critérios:
- Impacto no negócio
- Risco operacional
- Custo total de propriedade
- Capacidade do time
- Alinhamento estratégico
Sem critérios claros, reuniões viram debates intermináveis.
3. Níveis de decisão bem definidos
Nem toda decisão precisa subir ao topo.
Definir:
- O que é decisão estratégica
- O que é decisão tática
- O que é decisão operacional
Isso acelera o fluxo e reduz ruído organizacional.
4. Transparência e rastreabilidade
Decisões precisam ser compreendidas e lembradas.
Não se trata de documentação excessiva, mas de:
- Registrar o racional da decisão
- Tornar visível para quem será impactado
- Permitir revisões futuras
Governança sem transparência perde credibilidade.
5. Revisão contínua das decisões
Decisões foram corretas com a informação disponível no momento.
Boa governança aceita revisar decisões quando:
- O contexto muda
- Novas informações surgem
- Hipóteses se mostram incorretas
Governança madura aprende, não insiste.
Exemplo prático: governança inexistente vs. governança funcional
Cenário comum:
Cada área contrata suas próprias ferramentas, gera integrações improvisadas e cria dependência tecnológica.
Com governança:
- Critérios claros para aquisição
- Avaliação de impacto técnico
- Decisão compartilhada entre negócio e TI
- Redução de redundância e custo
O resultado não é mais lentidão, mas mais coerência.
O papel da consultoria em governança de TI
Governança é difícil de implantar internamente porque:
- Envolve política organizacional
- Exige neutralidade
- Demanda visão sistêmica
Uma consultoria especializada ajuda a:
- Desenhar modelos simples e funcionais
- Facilitar discussões difíceis
- Criar critérios objetivos
- Implementar governança sem burocracia
Mais do que criar estruturas, o foco é melhorar decisões reais.
Conclusão
Governança de TI não é um luxo para grandes empresas. É uma necessidade para qualquer organização que queira escalar com segurança.
Empresas com boa governança:
- Decidem mais rápido
- Erram menos
- Aprendem mais
- Sustentam crescimento
No fim, governança não é sobre controle.
É sobre confiança, clareza e qualidade das decisões.


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